
FICHA ARTÍSTICA
Texto: Judith Perrignon
Tradução: José Mário Silva
Encenação e dramaturgia: Teresa Faria
Apoio à dramaturgia: João Maria André
Cenografia: Rita Abreu
Figurinos: José António Tenente
Desenho de luz: Nuno Meira
Consultor para a música: Luís do Amaral Alves
Construção de cenário: Jorge Caiado
Fotografia: Rita Carmo
Assistente de produção: Cláudia do Vale
Interpretação: Sérgio Praia
Co-Produção: Margarida Mendes Silva e São Luiz Teatro Municipal
CONVERSA COM A EQUIPA ARTÍSTICA, SÁBADO 11 DE ABRIL APÓS O ESPECTÁCULO
PROGRAMAÇÃO PARALELA
14 de Abril, 18h30, Centro Nacional de Cultura
“Van Gogh convida” com
António Mega Ferreira
Orlindo Gouveia Pereira
Teresa Faria
Organização: Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº10 (ao lado do Café no Chiado)


Em “O meu Irmão. Théo e Vincent Van Gogh” de Judith Perrignon é a voz de Théo Van Gogh que se faz ouvir num monólogo “desesperado ao admirar, desvairado, as cores vivas das obras do irmão“. Para lá da angústia e da inquietude de Vincent (“morrer é duro, mas viver é mais duro ainda“), da sua “condição de estrangeiro sobre a Terra“, permanece o registo fraternal de Théo, num retrato quase impossível, nos seis meses que sobreviveu à morte do irmão. A doença volta à superfície e uma metade de si vai-se esvaziando. Dia e noite, um sentimento de estrangulação, um frio que vem de dentro, uma voz à beira da extinção. E Théo confessa: “agora olho para ele como para um espelho”.
Nota de Abertura
Teresa Faria
O meu encontro com Judith Perrignon durou um instante. O afecto profundo, o cuidado e a justeza com que ela se relaciona com os irmãos Van Gogh, bem como o enquadramento documental da sua narrativa, – tudo me fascinou.
Procurei a crueza, o cruel e o poético.
Questionar hoje o estatuto das artes e dos criadores é de toda a pertinência. Habita-se um limbo entre (sobre)vivências, “mortes” anunciadas e acasos.
Para o trabalho dramatúrgico de O meu irmão. Théo e Vincent Van Gogh procurei uma estrutura em que a memória se fosse soltando aos safanões. Théo viaja, silenciando a morte do irmão, pelo “tempo dos ninhos”, atravessa “atilhos e atalhos”, vive os (des)amores, explode e deflagra, pelo peso da obra de Vincent e pela doença que o vai corroendo. Por fim, acaba sentindo-se “uma recordação de si mesmo.” Fragmentos. Mas, haverá sempre um amanhã. E a pintura falará.
A dramaturgia cénica pretendeu densificar o espaço, reforçando a palavra. O luto das telas asfixia a criatura humana. A inquietude e a obsessão fragilizam e vestem o corpo em cena. Contornos, ambientes e ritmos demarcam / vislumbram sombra e luz. A música reconhece uma época e colabora na intemporalidade do momento cénico / da cena.
E porque é com pessoas que se faz teatro, neste processo criativo aconteceu em toda a equipa, cumplicidade, rigor e alegria. Aprendemos todos, penso. Obrigada.
Neste monólogo sobre os irmãos Van Gogh, o trabalho das personagens foi delicado, profundo e brutal. O actor. Maravilhoso.
Por fim, estrear este espectáculo no Teatro Estúdio Mário Viegas faz todo o sentido. Fala-se de arte, criadores e inconformismo. Que saudade, Mário.
Por mim tentei entrar na parte mais secreta da natureza humana e deixar-vos a palavra respeito.
Sobre a Autora
Judith Perrignon foi jornalista no Libération, escreveu ensaios e romances. Tem várias obras publicadas, nomeadamente “L’Intranquille” com Gérard Garouste, “Les Yeux de Lira”, com Eva Joly e “Mauvais génie” com Marianne Denicourt. O seu primeiro romance, “Les Chagrins”, foi muito bem acolhido.
Sobre a obra
Este livro nasceu ligando duas datas. Julho de 1890: morte de Vincent Van Gogh. Janeiro de 1891: morte do seu irmão Théo, aos 34 anos. Théo não sobreviveu mais do que seis meses. Um final de Verão, um Outono, um princípio de Inverno…
A partir da correspondência trocada, a escritora Judith Perrignon colocou-se na pele de Théo para evocar Vincent. Mas não apenas: através destas cartas, a romancista revela uma relação forte, rara, febril e de mútua admiração. Recordemos que Vincent escreveu mais de 650 cartas ao seu irmão mais novo. Algumas das missivas foram escritas em francês pelo próprio Vincent e Judith Perrignon preservou a sua frescura, mas também os seus erros e neologismos. Ela explica a sua tarefa: “imaginei, não inventei”. Apoiou-se no relatório médico de Théo, que morreu louco.
“Colocar-se na pele de Théo van Gogh: o exercício era arriscado mas Judith Perrignon sai dele maravilhosamente. Neste registo, é um dos mais belos livros dados a ler. Está lá tudo: a sensibilidade e a emoção. Judith Perrignon consegue descrever uma relação excepcional e ambígua entre sombra (Théo) e luz (Vincent), entre o “marchand” de arte e o artista.
(crítica em “Figaro Littéraire”).
Nota Final
Margarida Mendes Silva
Desde 2005 que me aventuro na produção teatral, com a regularidade possível e os meios que se revelam disponíveis a cada momento. Primeiro a escolha do texto, a seguir o convite aos profissionais do ofício e, finalmente, a angariação de recursos e apoios que permitam trazer à cena o que começou por ser um obstinado sonho.
O meu irmão. Théo e Vincent Van Gogh foi uma leitura que deixou eco. Regressei a este livro, anos depois, com a expectativa de encontrar um ponto de partida para uma nova criação. Teresa Faria agarrou o desafio maravilhosamente, com a profundidade e a delicadeza que a proposta artística reclamava. Sérgio Praia confirma ser um actor luminoso e consistente, num desempenho difícil e particularmente exigente. Expresso o meu reconhecido agradecimento a uma extraordinária e feliz equipa que assina o seu trabalho com rigor, seriedade, competência e sensibilidade. Será ainda de inteira justiça assinalar a cooperação dedicada dos colaboradores do SLTM, parceiro vital do projecto artístico que agora se apresenta.
Em 2015 o mundo celebra Van Gogh, 125 depois da sua morte. Exposições diversas e acontecimentos culturais de vária ordem sucedem-se numa Europa que se conseguiu unir para comemorar a genialidade do artista. À nossa pequena escala, procurámos ir ao seu encontro, numa justa homenagem. De volta a Vincent, citando uma das suas cartas, entre as muitas centenas que dirigiu a Théo. Palavras urgentes, também para os dias de hoje, que abrem futuro à Esperança,
Where is a will, where is a way / Onde há vontade, há um caminho
Fotos
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