Margarida Mendes Silva

O gosto pelo teatro cresceu consigo: desde a “companhia” que fundou com mais seis amigas, aos dez anos de idade, às experiências de criação artística e animação com crianças quando adolescente, passando pela frequência de um curso de iniciação teatral ainda no liceu. Espectadora assídua de peças de teatro, foi sempre com interesse que assistia à Semana Internacional de Teatro Universitário e à sucessora Bienal Universitária, na cidade de Coimbra. Dos palcos nunca se desligou, no lugar do público, até que um dia recebe um convite para passar para o lado de lá, ocupando a função de produtora executiva numa companhia profissional de teatro. Gostou da experiência e, mais tarde, abalançou-se pelos seus próprios meios a produzir um espectáculo. Dez anos passados, achou que era o momento de encarar séria e profissionalmente a aventura da produção. Com risco e sem rede. Desde 2005 que tem apresentado com a regularidade possível os projectos que abraça do princípio ao fim: a escolha do texto, os convites aos artistas e criadores, a angariação de financiamentos e a circulação da obra. E continua o seu caminho, acreditando sempre que o teatro é o espaço privilegiado das emoções. Toda a vida lá dentro. E um espelho sobre nós.

Mais informação:

“O meu irmão. Théo e Vincent Van Gogh”, co-produção São Luiz Teatro Municipal (2015).

Os três últimos dias de Fernando Pessoa. Um delírio“, co-produção São Luiz Teatro Municipal (2013).

Sangue Jovem_”, co-produção com o Centro Cultural de Belém. Apoio do Ministério da Cultura e Direcção Geral das Artes / APOIO PONTUAL (2011).

Produtora e autora dos projectos: “_Hysteria” (2008) e “O Senhor Ibrahim e as flores do Corão” (2007), com o apoio do Ministério da Cultura e Direcção Geral das Artes, no âmbito do Programa de Apoio a Projectos Pontuais -Teatro); “60 minutos com Brecht_” (2005), com o apoio do Ministério da Cultura/Instituto das Artes no âmbito do Programa de Apoio às Actividades Teatrais de Carácter Profissional – Projectos Pontuais 2004.

Promotora da apresentação em Coimbra, no Teatro Académico de Gil Vicente, dos seguintes espectáculos: “A Gargalhada de Yorick” , uma versão de “Hamlet” para dois actores, encenação de André Gago, com André Gago e Joaquim Nicolau, Produção Teatro Instável, 26 e 27 de Outubro de 2006; “Começar a Acabar”, de Samuel Beckett, com tradução, encenação e interpretação de João Lagarto, Co-Produção TNDM II, Teatro do Bolhão e os Crónicos, 9 de Fevereiro de 2008.

Produtora Executiva de “Eurípides para Duas Mulheres” de José Geraldo com Teresa Faria e Helena Faria (Coimbra, 1995); “Mitos Clássicos na Poesia Portuguesa Contemporânea” de José Geraldo pelo Teatro Clássico de Conímbriga (Conímbriga e Coimbra, 1999); “O Mercador de Carícias” de José Geraldo pela Camaleão Associação Cultural (Coimbra, 2000) e ainda dos espectáculos de teatro para a infância, apresentados pelo “O Teatrão – Companhia de Teatro para a Infância de Coimbra”, entre 1994 e 1999.

Integrou a organização de vários eventos culturais em parceria com o Grupo Local da Amnistia Internacional e Rádio Universidade de Coimbra, destacando a apresentação da peça “O Baile” de Hélder Costa pelo Grupo “A Barraca” (Café Santa Cruz, Coimbra 1988), Madredeus (estreia em Coimbra, TAGV, Dezembro de 1988), Jorge Palma (TAGV 1991), Pedro Burmester e Mário Laginha (TAGV 1988);

Foi membro da Rio Contigo-Associação Cultural, promotora do evento de artes plásticas designado “Circuito das Fachadas – A Outra Margem”, que decorreu de 4 de Julho a 31 de Agosto de 2006, em Coimbra e ainda do projecto de teatro sonoro, Audio-Walk, intitulado “Chambres, Rooms, Zimmers” com direcção artística de Ricardo Correia (10 de Janeiro a 8 de Março de 2008, em Coimbra).

Foi membro da Direcção do Festival das Artes (Quinta das Lágrimas, Coimbra) desde a sua criação, em 2009, até ao ano de 2012, inclusivé.

Integrou, de 2012 a 2014, a Associação dos Amigos do Conservatório de Música de Coimbra (A2C2), entidade responsável pela programação das temporadas “Sagração da Primavera” e “Cores de Outono”, inseridas no evento “Quintas do Conservatório”, com lugar no Grande Auditório do Conservatório de Música de Coimbra.

É programadora do ciclo anual (Junho) de “Há Música no Jardim!”, desde a sua criação, em 2013 (Anfiteatro ao ar livre na Quinta de S.Jerónimo, Coimbra) e mais recentemente do projecto da sua autoria, “Summertime – Jazz no Mosteiro”, com primeira edição em Agosto de 2017, no espaço ao ar livre do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra.

Lançou em Outubro de 2018 o projecto "O Mundo do Vinho", a de correr de 4 a 30 de Outubro, em vários espaços da cidade de Coimbra, abrangendo diferentes expressões artísticas, designadamente, o cinema, a fotografia, a música, a poesia, com lugar ainda para o enoturismo, a gastronomia e a enologia (www.vinhoearte.pt).

Na Primavera de 2019, chega “Abril no Feminino”: conversas, exposições, visita orientada, filmes, leitura encenada, concerto, teatro para a infância. As Mulheres são o pretexto da programação, enquanto produtoras de Conhecimento, Arte e Pensamento. Literatura, Ciência, Arquitectura, Fotografia, Música, Ilustração, Cinema, preenchem algumas das propostas. Na companhia de artistas, escritoras, investigadoras, arquitectas, para falar com Elas e sobre Elas, e com a presença de ilustres convidados, seus interlocutores. E tudo acontece em diferentes espaços e equipamentos da cidade de Coimbra (www.abrilnofeminino.pt).

Licenciada pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Exerceu advocacia até ao ano de 2016, assumindo actualmente em exclusivo a actividade de produtora e programadora cultural. Nasceu em 29.09.62.